Como é bom encontrar brasileiros!

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No Hald International School, somos estudantes de várias nacionalidades, que usam diferentes idiomas. Por isso, nós nos comunicamos através do Inglês: a língua que é capaz de unir a todos nós. No entanto, comunicar-se com os outros alunos vai muito além de simplesmente falar a mesma língua. O que acontece é que aqui você pode passar por momentos em que conhece todas as palavras que a outra pessoa está usando, mas é incapaz de distinguir todas elas, uma vez que a pronúncia de uma mesma palavra pode ser feita de múltiplas formas: estamos todos falando inglês, mas com sotaques muito diferentes.

Sobre a bonança e a tempestade

nov 22, 2022 | Artigos, Intercâmbios

A Noruega possui uma costa extensa. Assim, o oceano tem um papel importante na história e na cultura do país: esta é a terra das navegações, dos vikings, dos fiordes, dos faróis, das ilhas, das rochas banhadas pelas ondas e de um povo que é muito ligado ao mar. Várias das principais atividades econômicas dependem dele e é muito comum possuir um barco para usar como recreação. Aqui em Egersund, temos a impressão de que o mar está por toda a parte.

O elo com o mar se manifesta também dentro das Igrejas. A maior parte dos templos pertencentes à Igreja Norueguesa (NorKirke) possuem uma réplica de barco pendurada no teto. Em algumas delas, as pequenas embarcações são tão antigas, que ainda carregam a bandeira da Dinamarca (país ao qual o território norueguês pertencia). Este é o caso do barco da Igreja principal aqui de Egersund, construída em 1623.

A tradição escandinava de pendurar um barco remonta a tempos distantes e possui várias explicações. Algumas delas remontam inclusive ao período pré-cristianismo na região, quando ofertar uma miniatura de um barco aos deuses era considerado uma forma de garantir uma viagem segura para os seus tripulantes. Com a ascensão do Cristianismo, esta visão se alterou, mas o costume permaneceu, uma vez que a vida cristã pode ser comparada com uma jornada pelo mar da vida, com Jesus no controle. Logo, podemos ver a Igreja como um lugar em que encontramos outras pessoas que estão fazendo a mesma viagem.

Assim como o povo norueguês, os israelitas também possuíam um forte elo com as águas. Na época de Jesus, por exemplo, a pesca era uma das principais atividades econômicas, de forma que uma boa parte de seus discípulos eram pescadores. As histórias que lemos na Bíblia fortalecem ainda mais a metáfora que embasa a tradição de usar réplicas de barcos como decoração.

Entre elas, a minha preferida é a que lemos em Marcos 4:35-41. A história narra o momento em que Jesus e seus discípulos entraram no seu barco para atravessar até o outro lado da costa. Durante a viagem, Jesus adormeceu. De repente, uma violenta tempestade agitou o mar. No entanto, Jesus continuava dormindo. Amedrontados e sem entender como Jesus era capaz de dormir naquele momento, os discípulos o acordaram, perguntando: “Senhor! Senhor! Salva-nos! Vamos morrer! Não te importa que morramos?”. Jesus se levanta, repreende o vento e o mar e tudo fica calmo. Mas a história não termina aí: Jesus, indignado com a atitude dos discípulos, pergunta: “Por que vocês estão com medo, homens de pequena fé?”. Tradicionalmente, vemos o milagre como o momento em que Jesus acalma a tempestade. No entanto, na minha opinião, o milagre começou muito antes: quando Jesus ainda estava dormindo.

O extraordinário está também na calma que havia dentre as agitações da tempestade, pois Jesus estava com eles. Para mim, o principal ensinamento desta história não é apenas de que Jesus pode acalmar as tempestades das nossas vidas, mas que ele é capaz de trazer tranquilidade, mesmo quando a violência das águas faz o barco balançar de um lado para o outro. Ele traz a “paz que excede todo o entendimento” e que guarda nosso coração e mente (Filipenses 4:7).

Este tempo aqui na Noruega tem sido maravilhoso, mas também muito desafiador, que é o que torna esta experiência tão cheia de aprendizados. Muitas vezes, ficamos em uma posição muito vulnerável. No Brasil, era fácil se sentir no controle (mesmo não estando). Mas aqui, eu acabo sendo muito mais dependente dos outros e das circunstâncias. Eu me sinto como se estivesse dentro de um pequeno barquinho indo para onde quer que o vento me leve, sem qualquer controle sobre o trajeto. Em um cenário assim, é muito fácil ser como os discípulos e permitir que as dúvidas e ansiedades nos ceguem para ver o óbvio: Jesus está no barco. Quando eu olho para o teto do templo e contemplo a embarcação cuidadosamente construída, eu me lembro disso: o Senhor do Universo, que tem poder sobre o mar e o vento, também tem poder sobre a minha e a sua vida e está no controle na bonança e na tempestade.

Por: Sarah Bahr Pessôa

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