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Morte ao Selfie

mar 26, 2020 | Artigos

Jesus ensinou longamente sobre compaixão, sobre a transformação de sistemas de opressão e injustiça. Ele tinha uma mensagem clara sobre o papel das pessoas religiosas na tentativa de curar a dor da pobreza, fome, doença e abusos da prisão. Jesus investiu todo o seu tempo aqui para construir o Reino de Deus na terra. E ele usava histórias para falar de tudo isso.

Algumas das histórias contadas por Jesus fazem muito sentido nesses dias atuais. Dias em cada ser humano procura o que é melhor para si e para os que estão próximos de si mesmo. Dias em que a palavra “próximo” ganhou uma conotação bem diferente daquela pensada originalmente.

Lucas 10.25-37 registra uma conversa entre um perito na lei e Jesus. A história conta que esse líder religioso aborda Jesus e pergunta sobre o que deveria fazer para ganhar a vida eterna. Jesus, talvez entendendo a armadilha que estava sendo preparada, inverte a pergunta e diz: “O que você acha? O que você entende da lei?”. O teólogo respondeu que deveria amar a Deus e amar o próximo. Jesus o elogia e tenta encerrar a conversa dizendo: “Vá e faça isso que você terá a vida eterna!”. Esse perito na lei, então, faz uma pergunta que ecoa até os dias de hoje: “Quem é o meu próximo?”.

Para responder, Jesus conta mais uma de suas histórias: O Bom Samaritano (leia Lucas 10.30-37).

Me parece que toda a narrativa contada por Jesus serve simplesmente para desmascarar a auto justificação do perito na lei. Parece que Ele quer deixar bem claro o problema real, ou seja, trazer à tona o tipo de pessoa que esse teólogo realmente é. O problema do líder religioso não é com a definição de “próximo”. Seu problema – e de todos nós – é que não consegue enxerga-lo.

Conosco não é diferente. Passamos pelos nossos “próximos” o tempo todo, mas não os vemos (ou não queremos vê-los) e, quando os vemos, não conseguimos “atravessar a rua”. Falar de compaixão, ler sobre amor ao próximo, sobre a injustiça, meditar e orar sobre estes assuntos é a parte mais fácil. Mas o que realmente importa é estarmos dispostos a atravessar a rua e abraçar o estranho, é abrir nossa casa e acolher aquele que precisa, ou ainda ficar no isolamento voluntário por respeito àquele com a saúde mais vulnerável.

A ideia de amar o nosso próximo é muito bonita desde que permaneça como um conceito abstrato e não tão perto de mim. Mas a verdade nua e crua de amar aquela pessoa que não escolhemos, que eventualmente não queremos nos relacionar, apaga toda a beleza desta “ideia”. É uma verdadeira morte ao selfie. É abrir mão da minha própria vontade para fazer o bem ao outro. Outro, este, que muitas vezes nem conhecemos.

Com a história do Bom Samaritano, Jesus está dizendo: veja como você ama a si mesmo e como se preocupa com o seu próprio bem-estar. Agora, minha ordem para você é esta: pegue todo o seu zelo e dedicação consigo mesmo e faça o mesmo em relação ao seu próximo. Atravesse ruas!

Dessa forma, Jesus mexe na ferida de todos nós, seres humanos: nosso estilo de vida egoísta e nos ordena a abandoná-lo.

Queremos comer bem? Então devemos querer que os outros comam bem.
Queremos um teto sobre nossas cabeças? Então devemos fazer de tudo para que os outros tenham também.
Queremos a companhia de amigos de verdade? Então devemos ser um amigo de verdade.
Queremos que a doença, a violência e a injustiça não nos encontrem? Então devemos fazer de tudo para garantir que os outros se sintam seguros e amados também.

Que nossas palavras não sejam mero sopro saindo de nossos lábios!

Jonatan Neumann 
Coordenador de Ministérios ME

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