1x1.trans - Culto de Assembleia 2018

ARTIGO – Rui Petry

Combatendo o bom Combate!

Sl 142 – 2 Tm 4.6-18

Depois de um bom tempo volto aqui hoje, para celebrar junto com vocês, mestres, doutores, aprendizes, discípulos, servos e servas do Senhor, Rei da Glória.

Fico feliz, e honrado por ter sido convidado para repartir a palavra convosco nesta noite. É uma honra, que mesmo tendo gente muito mais capaz que eu, me concedem esta oportunidade.

Pensando e orando por uma palavra para esta ocasião, me deparei com duas. Duas palavras de dois caras sensacionais, amados, divinos, para os quais não há superlativos suficientes para falar de sua grandeza e de sua importância no desenrolar de todos os propósitos de Deus em sua história salvífica para com a humanidade. Dois homens segundo o coração de Deus. Assassinos, cruéis, verdadeiros ogros, mas que depois de conhecerem o amor e a misericórdia de Deus, passaram a ter uma sede de Deus, um coração orientado para Deus, um desejo último e maior de serem de Deus. Sobretudo e acima de tudo, mesmo se entendendo como “o pior dos pecadores” como dizia Paulo sobre si, em 1 Tm 1.15.

Um dos textos é um poema/oração de David, registrada no Salmo 142.

O outro, Paulo, escreveu numa carta ao amigo Timóteo, onde diz: “já estou no fim da minha jornada. Estou sendo oferecido no altar como oferta. Meu fim está próximo. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”. 2 Tm 4.6-18

Os dois me fizeram lembrar aquela máxima que diz: não importa tanto como começamos a nossa jornada, mas sim, como a terminamos. Paulo e Davi começaram meio mal. Cometeram grandes e graves erros, andaram por muitas dificuldades, mas apesar de todas as lutas, provações e tribulações pelas quais passaram, eles sempre olharam firmemente para o Autor e Consumador de sua fé, e jamais se isolaram, se achando autossuficientes, e se apartando de mentores ou da comunhão dos irmãos.

Muita gente há que começa bem a corrida, mas depois quebra e termina mal, ou nem termina. Tem gente que larga com um fogo medonho, inflamados, cheios de garra e fé, e ao longo da jornada vão murchando, apagando, quebrando, até desaparecerem por completo.

O que faz com que se percam? Que parem de correr? Que se desviem? Quando Davi diz: olha para minha direita e vê: ninguém se preocupa comigo. Não tenho abrigo seguro; ninguém se importa com a minha vida. (v.3,4). Ou Paulo escreve, já velho e alquebrado: Demas se mandou, amando mais a este mundo, Crescente se foi… eles estão falando de gente que quebrou na corrida. Estavam lá, começaram bem, mas pararam, sumiram, desistiram, quebraram.

Quando leio isso fico pensando: cara, quanta gente que começou comigo se perdeu na jornada… Que tristeza! Meu primo que me levou ao grupo de jovens da Igreja. A moça que Deus usou para me chamar ao ministério. Dos que compartilhavam a vida e a fé naquele efervescente grupo de jovens, pouquíssimos sobraram. Começaram muito bem a corrida, mas depois pararam, quebraram, por quê?

Se receberão no fim de tudo, como Paulo afirma de forma convicta , a Coroa da Justiça, eu não sei. Não me cabe julgar. Mas, é bem provável que não. Se foram… para longe de Deus, da fé, da Igreja do Senhor. Quantos assim, você conhece?

As estatísticas oficiais da IECLB mostram que em 2016 cerca de 60 mil membros se afastaram da Igreja. Deixaram de correr. Pararam! Os perdemos, talvez para sempre. E daí? Alguém se importou seriamente com isso? Diminuímos pela metade, nos últimos 40 anos. Alarmante? Parece que não!

Quando venho para cá, é impossível não viajar no tempo. Muita coisa vem na minha cabeça. As lutas, provações e dificuldades de um jovem louco para correr sua corrida, largado aos 24 anos em Curitiba, para pastorear a centenária Comunidade do Redentor, recém-casado com uma linda menina de 21 anos e recém-formado. Tava lascado, mas louco de feliz! Louco de vontade! Louco para fazer algo de impacto, deixar marcas profundas e dar o meu melhor para Deus neste lugar. Que sonho de guri! Que ousadia! Que coragem! Quando olho para trás hoje, fico pensando de onde veio tudo isso… Mas, Deus foi muito fiel! Quanta transformação!

Foram muitas noites sem dormir. Muitos travesseiros molhados pelas lágrimas. Pelo choro constante da perseguição, da incompreensão. Da falta de gente, de recursos. As dificuldades enfrentadas foram imensas. Lutas sem tamanho… Primeiro sozinho. Depois ao lado do meu grande companheiro, amigo e parceiro Egon Lohmann. Mais tarde ainda acrescidos pela presença do Jacson Eberhardt, do Celso e de outros. Fizemos um grande time. Mas, nada seria possível, sem a fidelidade dos amigos, irmãos e presbíteros que nos abraçaram e abraçaram a causa conosco. Tudo valeu a pena! Viramos o jogo, fazendo de uma comunidade quebrada e falida, uma próspera e exemplar Comunidade para a IECLB. Perdi meus cabelos, por vezes a saúde, mas é bonito de ver, ao olhar para trás.

Ninguém corre sozinho esta corrida, e chega bem. Nesta maratona da vida, o jogo de equipe é fundamental. Não vou citar mais nomes para não ser injusto, mas sei que Deus nos deu uma baita equipe, um time vitorioso. Nem todos ficaram de pé… Alguns se perderam, outros se foram, mas muitos estão aí. Por quê?

Creio que três coisas foram e são fundamentais:

 

  • Não deixarmos nunca da nossa paixão por Deus, reconhecendo que Ele é fiel e está do nosso lado. Davi diz: quando meu espírito desanima, és tu quem conhece o caminho que devo seguir; Tu és o meu refúgio; és tudo o que tenho na terra dos viventes. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia, e a todos os que amam a sua vinda. O Senhor me livrará de toda obra maligna, e me levará a salvo para o seu Reino celestial. A Ele seja a glória para todo sempre.

 

  • Mentores e irmãos fiéis de caminhada nos acompanharam e nos cercaram com seu apoio, conselhos e orações. Que diferença não fizeram grandes homens e mulheres de oração como os Linzmeier, os Rauscher, Baranow, Männich e tantos outros da igrejinha alemã, que na sua profunda piedade, todos os dias oravam pelo pastor e pelos líderes da igreja. Todos fomos carregados por pessoas imprescindíveis, muitas vezes de forma anônima, mas de presença constante na luta diante do trono da graça de Deus. Rendo meu louvor e tributo a todos eles, pois sem eles, ontem e hoje, não me manteria de pé.

 

  • Por fim, a imprescindível comunhão do corpo, da Igreja. É um imenso privilégio vivermos em comunhão. Dou graças a Deus que duas semanas depois da minha conversão, quando ainda flutuava andando sobre as nuvens divinas, pude ir ao meu primeiro Encontrão. Foi em Nova Petrópolis, Linha Brasil, em 1980. Embalado por um grupo norte-americano chamado Brisas da Paz. Nunca mais me afastei deste corpo. Ele é fundamental, importante demais. A comunhão dos irmãos é graça preciosa que nos mantém vivos, de pé, firmes na corrida, até cruzarmos a linha de chegada.

Quero aproveitar este momento falando de corrida. Sou meio reservado, e não gosto muito de falar sobre mim, mas acho que hoje é oportuno falar sobre isso, hoje. Depois de muitos anos consciente que estava descuidando e maltratando este templo sagrado do Espírito Santo, que é o corpo que Deus nos deu, tomei vergonha na cara e comecei a me exercitar.

Nisso, comecei a correr e não parei mais… Não tanto como o Forest Gump, mas…

No ano passado alcancei um sonho: corri minha primeira maratona!

42.195K

Mas, perguntam: por quê? Para quê? Isso não á saudável… Não fale isso sem provar. Acho que não é saudável correr 50 maratonas em 50 dias seguidos, como fez o Dean Karnazes, um maluco da California. Mas, quero apenas compartilhar algumas coisas que aprendi, nesses meus quase 6 anos de corredor.

Primeiro: imagino que a nossa vida, em geral, é como uma maratona. Tiro longo, e não curto. Enquanto corria para 5K ou 10K, não precisava de muito preparo. Nestas distâncias,um conhecimento e cuidado básico é suficiente. Basta colocar um tênis e uma roupa adequada e vamos lá. Depois me aventurei em duas São Silvestres, 15K e em algumas meias, de 21K. Bem, aí já é outra história. Entram em cena algumas coisas, como a necessidade da retaguarda da musculação, para manter a musculatura em dia, e evitar as lesões. A disciplina, para treinar o suficiente, para desenvolver a aptidão cardiopulmonar para correr distâncias maiores. O descanso suficiente para a restauração necessária para o corpo cada vez mais exigido e sim, um cuidado cada vez maior com a alimentação.

Vejam, disciplina, exercício, descanso, alimentação saudável… A prática destes hábitos no âmbito físico são exatamente equivalentes aquilo que precisamos fazer no âmbito espiritual, para conseguirmos completar a jornada da vida. Ao longo de nossas vidas, quase todos nós vamos fazer de meia-maratona para mais. A maioria vai fazer mesmo uma maratona, ou ultramaratona.

Acontece que é aí que o bicho pega. Fazer uma maratona é outro departamento. Não basta a vontade ou alguma leitura sobre corridas e maratonas. Algumas coisas são essenciais:

  • Conhecer a si mesmo. Seu corpo, sua vida, seus limites; Devo saber minha condição. Não devo jogar para a torcida. Esqueça os outros. O desafio é contigo mesmo. Na maratona, toda e energia gasta a mais no início, faltará no final. Foca na tua corrida. Quais são os teus desafios? Qual a tua luta? Como podes encontrar teu lugar, momento, saber teus limites, tuas capacidades? Nossa maior luta será sempre conosco mesmo! Foca no final, onde queres chegar!

 

  • Ter um plano de treinos adequado. Preciso saber como, quando e quanto devo treinar; Todo treino tem um objetivo, busca um resultado. Qual a hora melhor para teu treino. Para a leitura e a meditação. O silêncio da oração, na quietude de quem se larga aos pés de Jesus, para escutar sua voz? O bom e velho plano de leitura da palavra entra aqui. Como aproveito melhor aquilo que eu descubro e aplico ao meu viver?

 

  • Ter muita disciplina. É correr e correr faça chuva, faça frio ou calor, não importa. Sentar todos os dias aos pés da cruz, como fez Maria, que soube escolher a melhor parte. Achegar-se junto ao trono da graça, para receber socorro em ocasião oportuna, é o nosso treino diário.

 

  • Precisa de um treinador. Alguém que te acompanha. Um mentor, experiente, que vê as coisas de fora, e é capaz de te orientar adequadamente; Temos tanto os mentores e treinadores bíblicos para nos orientar na corrida, como pessoas que Deus coloca a nossa volta, para nos apoiar e aconselhar. Eles são fundamentais como guias que cuidam de nossas almas. Procure-os, para estarem ao teu lado!

 

  • Tem que cuidar da comida. Comer coisas saudáveis, que são fontes de restauração e energia é uma prática vital. Esqueça aquele podrão, as porcarias comestíveis. A Palavra é o pão vivo do qual nos alimentamos! Jesus é a comida saudável que precisamos ingerir todos os dias para termos força e saúde para ir em frente.

 

  • O sono e o descanso são a matéria prima do recomeço no dia seguinte. O corpo se restaura dormindo e descansando bem. Disciplina para esperar em Deus, e deixar Ele conduzir e restaurar tudo para as lutas do dia seguinte. Descansar em Deus é desenvolve nossa fé e confiança.

 

  • Um grupo de pessoas que também está correndo, te anima e incentiva, e te dá o apoio necessário. Esteja sempre perto dos irmãos na comunhão da igreja. O orgulho de pensar que não preciso de ninguém traz um risco fatal em si mesmo. Se cair, não haverá quem me levante.

David termina o Salmo dizendo: liberta-me da prisão e renderei graças ao teu nome, e então os justos se reunirão a minha volta, por causa da tua bondade.

Paulo também apela para que além de Lucas que estava ao seu lado, Timóteo venha, e traga Marcos junto com ele. Marcos, Lucas e Paulo… Quase todo o Novo Testamento reunido nestes três grandes e frágeis vasos de barro, juntos para a glória de Deus. Como precisamos lutar por manter esta comunhão viva, ao longo da nossa corrida, da Maratona da Vida.

Nunca corra sozinho! Todos precisamos de Deus, de mentores e dos amados irmãos e irmãs sempre perto de nós. O Movimento Encontrão me deu isso, e eu sou muito grato a Deus por esta graça, que tem sido tão importante para mim. Honremos aos que neste ano passaram o bastão, como o Carlos Lichtler e agora o Lindolfo Weingaertner. Nos precederam e rumaram para a glória. Deus nos conceda sermos fiéis, para um dia também chegarmos lá!

Amém!